Olá, Amiga(o)s.
Deixa eu me apresentar: me chamo Fernanda Purificação (mais conhecida como Fer Purificação), sou psicóloga, especialista em sexualidade e amante total da neuropsicologia. Atuo na área desde 2017 e é uma honra dividir com vocês conhecimentos sobre esse assunto, onde eu classifico que o TEU PRAZER é o protagonista. Afinal, quem goza não fala mal de ninguém.
Nossos encontros por aqui serão mensais e produtivos, porque conteúdo diário é nas redes sociais (@ferpurificacao). E hoje eu quero te entregar um tema um tanto polêmico e cheio de místicas: TRANSAR NÃO É APENAS SOBRE PENETRAÇÃO.
Esqueça tudo que te contaram, porque hoje o nosso papo vai entrar em camadas que podem mudar tua perspectiva sobre a hora H.
Bora? Segura na minha mão e vem.
Vamos entender que educação sexual nunca foi o forte da sociedade, e descobrir sobre o tema quase sempre veio por um buraco de fechadura, por conversa torta, por vergonha, por filminhos 18+ e por um monte de fantasia mal explicada, certo?
“Ah tá, Fer, então o que é transar?”
Pois bem, cara(o) leitora(o), é aqui que começamos a desmistificar essa regra. Você sabia que apenas uma parcela pequena de mulheres goza exclusivamente com penetração?
Sim. Sim. E muitos sins.
Logo, entenda: o nosso principal órgão de prazer chama-se CLITÓRIS. Aquele com capuzinho ali na ppka, tão bonitinho e tão ignorado.
Ele existe com a finalidade de prazer. Tem milhares de terminações nervosas e não foi feito para decorar o corpo feminino. Foi feito para ser respeitado, estimulado e incluído no jogo.
E, detalhe importante: cada mulher gosta de um jeito. Com mais pressão, menos pressão, mais ritmo, menos ritmo, com pausa, com provocação, com oral, com dedo, com toy.
O corpo feminino tem linguagem. O problema é que muita gente quer falar por ele sem nunca ter aprendido a escutar.
Pois bem… nós mulheres gostamos de transar. Gostamos mesmo.
O problema é que existe tanto foco na socação sem sentido, tanta pressa em “chegar lá”, tanta performance querendo substituir presença, que muitas vão criando ranço do conjunto.
E aí, o que era para ser prazeroso vira obrigação, desconforto, ansiedade, tensão e, em muitos casos, aversão.
Então, a penetração, quando vem sozinha, mal conduzida, sem preparo, sem desejo real, sem estímulo do corpo como um todo, pode ser entendida mais como incômodo do que como troca positiva.
“Mas podemos reverter?”
Sim. E devemos.
Então bora entender melhor como nós, mulheres, funcionamos na hora H e quais são algumas preferências mais comuns.
E eu já lembro aqui: isso é estatística, não sentença.
A tua verdade não está no achismo do teu parceiro, nem no roteiro pronto da internet. Ela está no teu corpo, na tua resposta, no teu desejo e, principalmente, na tua capacidade de comunicar isso.
Porque aqui vai uma verdade que pouca gente fala com coragem: mulher quer gozar.
E muitas vezes não goza porque foi ensinada a agradar antes de sentir. Finge orgasmo para não abalar a masculinidade do parceiro. Cala para não parecer “difícil”. Aceita menos do que merece para não criar climão.
E vamos combinar?
Climão mesmo é passar anos transando errado e chamando isso de vida sexual ativa.
Então a primeira regra de ouro é esta: esteja em uma relação onde você se sinta confortável para falar sobre isso.
Escute o seu corpo. Sinta seu desejo. Observe o que te liga e o que te desliga.
Porque, no fim, quem ganha é o casal. Bons amantes tendem a ser mais felizes, mais empáticos e a construir vínculos mais firmes, mais íntimos e mais verdadeiros.
E agora vem a parte que muita gente precisa ouvir sem pudor, sem tabu e sem cara feia:
EROTIZE.
Erotizar não é exagero. É inteligência sexual.
Sexo bom não começa na penetração. Sexo bom começa no ambiente, na forma como você foi olhada, na segurança que sentiu, no beijo que não teve pressa, no toque que não chegou roubando a cena, no cérebro que foi convidado para a festa.
Porque, antes de qualquer calcinha sair do corpo, o tesão precisa entrar na cabeça.
A mulher, no geral, não funciona no modo “ligou, usou”. Ela precisa de contexto. Precisa de presença. Precisa de estímulo. Precisa de construção.
E é aí que muitos casais se perdem: querem colher entrega num terreno que nunca foi regado.
A verdade é que penetração sem excitação suficiente pode ser ruim, dolorosa, frustrante e até fazer a mulher associar sexo a tensão.
E depois ainda tem gente que pergunta por que ela “anda sem vontade”.
Temos o dever de entender que, sem mistério, sem preliminar decente, sem escuta e sem conexão, a vontade pede demissão.
É por isso que explorar o corpo inteiro muda tudo.
Seios, pescoço, costas, coxas, barriga, nuca, respiração, palavras, ritmo, pausa.
Tudo comunica.
Tudo prepara.
Tudo acende.
E sim, os sexy toys adultos podem ser aliados maravilhosos nessa história.
Não como substitutos de alguém, mas como extensões do prazer, do autoconhecimento e da criatividade do casal.
O sugador (Sugar Lux), por exemplo, pode ser uma porta de entrada incrível para mulheres que têm dificuldade em alcançar orgasmo só com estímulos manuais ou penetração. Ele trabalha de uma forma muito específica e pode ajudar essa mulher a finalmente entender o próprio corpo sem culpa.
O bullet (Pretinho Básico) é pequeno no tamanho, mas não se engane: ele é direto, eficiente, ótimo para estímulos localizados e pode entrar tanto na brincadeira solo quanto no momento a dois. Discreto, objetivo e ótimo para quem quer começar sem complicar.
Já a varinha mágica (Mike) é quase uma consultoria sensorial de respeito. Potente, versátil, intensa. Excelente para explorar áreas diferentes do corpo, brincar com níveis de excitação e entender melhor o que o corpo responde com mais facilidade.
E antes que alguém torça o nariz, eu vou falar com a clareza que me cabe:
VIBRAMOR (sexy toy) não ameaça parceiro.
Já parceiro ruim, desatento e orgulhoso é que se sente ameaçado por tudo.
Sexy toy bom soma. Ensina. Facilita.
Ajuda a mulher a conhecer o próprio prazer (consciência corporal) e ajuda o casal a sair da monotonia.
Aliás, casal inteligente não compete com o prazer. Casal inteligente constrói prazer junto.
Porque quando uma mulher se conhece, ela consegue orientar. Quando ela se permite, ela expande. Quando ela perde a vergonha de falar do que gosta, a vida sexual sai do improviso e entra em outro nível.
E aqui mora um ponto central: autoconhecimento é um ato de liberdade.
Quem não conhece o próprio corpo vira dependente da adivinhação alheia.
E convenhamos: tem parceiro que não sabe nem onde está emocionalmente. Imagine localizar teu mapa de prazer sem ajuda.
Por isso, masturbação, espelho, toque, curiosidade, leitura, conversa e até o uso consciente de sexy toys não são vulgaridade.
São ferramentas de consciência corporal.
São formas de entender teus limites, teus tempos, teus desejos e tuas preferências.
E isso não melhora só o orgasmo. Melhora a autoestima. Melhora a comunicação. Melhora a presença no corpo. Melhora a forma como você se posiciona na relação.
Porque uma mulher que aprende a se escutar para de aceitar migalha sexual disfarçada de intensidade.
No fim das contas, transar não é só penetrar.
Transar é presença. É troca. É escuta. É liberdade. É corpo. É mente. É vínculo. É intimidade. É tesão construído. É desejo sustentado.
É um encontro entre pele, psique e verdade.
Penetração pode ser deliciosa, sim. Mas ela não pode ser a única linguagem do prazer.
Quando o casal entende isso, a hora H deixa de ser tarefa e volta a ser experiência.
Então, da próxima vez que te venderem a ideia de que sexo de verdade é apenas penetração, desconfie.
A melhor definição para “sexo de verdade”, a meu ver, seria essa:
Sexo de verdade te faz sentir inteira.Sem medo.Sem atuação.Sem tabu.Sem pressa. Sem fingimento.
Porque prazer não é prêmio.
Prazer é direito.
E se for para viver a hora H, que seja com consciência, entrega e coragem para sair do script ruim que ensinaram por aí.
Teu corpo merece mais que pressa.
Teu desejo merece mais que improviso.
E teu prazer, definitivamente, merece protagonismo.
Bjuss no coração de vocês, até mês que vem.
Fer Purificação.
